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Risco na ingestão de peixe cru: Gnatostomíase

A gnatostomíase é uma parasitose endêmica em alguns países onde há frequente consumo de peixes de água doce pouco cozidos ou crus. Originária de países asiáticos, e presente hoje em países da América Central, México e Peru, vêm sendo agora descrita no Brasil. O primeiro caso foi em 2009 em pessoa que havia visitado o Peru.

A gnatostomíase também pode ocorrer pela ingestão de carne crua de lagostas, rãs, caranguejos ou galinhas. Atinge vários órgãos, entre eles a pele, manifestando-se frequentemente como lesões avermelhadas e endurecidas no tecido adiposo, principalmente do abdome, e que coçam.

Cozinhar bem os alimentos e ferver/filtrar a água previne a infecção. A popularização do consumo de peixe cru (como ceviche, sushi e sashimi) ou cozido no vapor tem aumentando o número de casos no mundo.

Observação de 2 casos recentes e autóctones:

São adultos que vivem na região sudeste e que pescando na região Norte, ingeriram peixes de água doce crus, e desenvolveram a gnatostomíase.

No quadro clínico é marcante:

  • A celulite migratória que pode acontecer em qualquer lugar do corpo;
  • O acometimento sistêmico, que pode ocorrer atingindo vários órgãos como olhos, pulmões e sistema nervoso central.

O diagnóstico laboratorial é feito por sorologia (Elisa e Wertern Blot), teste não a disposição no nosso meio. O tratamento exige a administração de albendozal 400 a 800 g/dia por 21 dias. Caso você tenha o hábito de comer peixe cru (cozinhas orientais e sul americanas), fique atento!

A boa notícia é que o tratamento é feito com anti-helmínticos, que podem curar totalmente a doença.

Dr Evandro Roberto Baldacci (Livre Docente USP)

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